Acordo sozinho e não vejo ninguém, fico imaginando para onde foi todo mundo. Atravesso o corredor, subo as escadas até o terceiro andar, e nada. Em minha cabeça passam pensamentos abstratos... Até que me deparo com um espelho, e ao olhar-me vejo nele a minha imagem: um físico invejável, mas o que mais me chama atenção em mim mesmo, é o meu olhar, morto e solitário.
Estou sozinho novamente, todos saíram e lá fora cai uma chuva fina, como se São Pedro pedisse para que ali eu permanecesse, há observar a chuva bater na vidraça da sala. São Paulo às vezes me parece assim como eu, triste, solitária.
Novamente pensamentos me vêem à cabeça, lembranças da minha infância, da minha vida. De repente me lembro o motivo da minha tristeza, e como a morte de alguém pôde me afetar. São Paulo às vezes é vingativa, corroendo as pessoas no dia-à-dia.
Acidentes de carro acontecem diariamente. A TV anuncia a notícia, a população exclama: ai meu deus!, e voltam as suas vidas matinais. Nunca se imagina que possa acontecer com alguém tão perto de você.
Lembro- me quando dei a notícia ao seu pai, que estava parado no alto da escada. Nunca vi um pai chorar tanto, e ainda não consigo entender a dor da perda. São Paulo está fria novamente, e uma garoa fina cai pela cidade.
A chuva cai numa vidraça escura, onde ali permanece um garoto, imóvel, caído no chão. Sua imagem refletida no vidro, onde sua expressão não muda. Eu ainda estou ali, e ninguém voltou ainda. São Paulo agora permanece calada.
Igual a tudo na vida.
"Quando a borboleta coroou a flor amarela, os lírios, em ângulo reto com seus caules, fizeram uma profunda saudação..." - Guimarães Rosa
quarta-feira, 7 de março de 2012
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
O fim
O começo do fim, sempre começa ilusório...
Reconhecer para almejar.
Busca de promessas, cobranças findas.
O fim sempre acaba como começou, em sonhos eternos...
Lembranças nostálgicas. Mentes que se completam.
A vida sempre retoma da onde surgiu.
Se o amor é passageiro? O que não é?
Se vivemos parar amar? Porque esperar?
Se queremos sempre mais? Porque não alcançar?
Sociedade. Burocracia. Hipocrisia.
Tudo vira lixo. Imundice sem fim
Estilo Gothan City, ou Avatar?
Estamos mais para 15 de novembro.
O mundo é poeira, pó. Sem nó
Um gota d'água, que deságua em oceano...
Entupimos palavras em organismos alheios
Fingimos atenção, compaixão. Esquecemos. Não morremos.
Já estamos mortos, afinal..
O fim do mundo nunca teve fim
Apenas começou.
Reconhecer para almejar.
Busca de promessas, cobranças findas.
O fim sempre acaba como começou, em sonhos eternos...
Lembranças nostálgicas. Mentes que se completam.
A vida sempre retoma da onde surgiu.
Se o amor é passageiro? O que não é?
Se vivemos parar amar? Porque esperar?
Se queremos sempre mais? Porque não alcançar?
Sociedade. Burocracia. Hipocrisia.
Tudo vira lixo. Imundice sem fim
Estilo Gothan City, ou Avatar?
Estamos mais para 15 de novembro.
O mundo é poeira, pó. Sem nó
Um gota d'água, que deságua em oceano...
Entupimos palavras em organismos alheios
Fingimos atenção, compaixão. Esquecemos. Não morremos.
Já estamos mortos, afinal..
O fim do mundo nunca teve fim
Apenas começou.
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